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Cientista de Franca que superou infância pobre e preconceito terá história contada nos cinemas

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Filme sobre a vida de Joana D'arc Félix de Souza será protagonizado por Taís Araújo. Professora que aprendeu a ler sozinha tornou-se PhD na Universidade Harvard e acumula 82 premiações.

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Filha de empregada doméstica e de um profissional de curtume, Joana D’arc Félix de Souza superou muitas dificuldades e preconceito até se tornar PhD em química pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, além de uma cientista mundialmente premiada.

Aprovada em três universidades aos 14 anos, Joana aprendeu a ler sozinha e dormiu com fome muitas noites, porque o dinheiro para estudar longe de casa era pouco. Durante o intercâmbio, ouviu comentários racistas de colegas, mas se mantinha firme aos objetivos.

Agora, a história de vida e de superação de Joana será representada nos cinemas. O papel principal será da atriz Taís Araújo. A cinebiografia ainda não começou a ser gravada e também não há previsão para lançamento, mas a produção será da Globo Filmes.

“Foi uma surpresa muito grande. Até então, parece que a gente não valoriza oque é feito. Aí, caiu a ficha: ‘nossa, estou fazendo trabalhados interessantes em prol da sociedade, do meio ambiente, da saúde humana’. É possível vencer na vida através da educação”, diz Joana.

A professora conta que recebeu a proposta de ter a vida contada em um filme depois de conquistar o título “Personalidade 2017” do Prêmio Faz Diferença, uma iniciativa do Jornal O Globo em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

“Quando subi ao palco para falar um pouco sobre a minha história, foi o que sensibilizou”, relembra. “É um filme brasileiro voltado para a educação. Somente através dela é possível alcançar uma transformação social efetiva e estou contente por isso”, diz.

Os produtores do filme já estiveram na escola técnica onde Joana leciona, em Franca (SP), para acompanhar a rotina da professora. Diretor do colégio, Cláudio Ribeiro Sandoval diz que se surpreende com a capacidade da cientista de envolver e incentivar os estudantes.

“Ela traz ao longo da história de vida um exemplo. Isso faz com que o aluno consiga se refletir naquilo que ela viveu. Ela é muito humana e simples no que faz. É uma alegria muito grande porque é uma oportunidade de mostrar ao Brasil inteiro quem é a Joana D’arc”, afirma.

studo e superação
Joana nasceu em Franca no seio de uma família com poucos recursos financeiros. Sem condições manter a caçula em uma creche, a mãe optou por levá-la para o trabalho. Aos 4 anos de idade, a menina passava o dia quietinha, lendo os jornais da casa.

Sem dinheiro e sem saber como viveria longe da família, já que precisaria estudar em uma universidade pública fora da cidade, Joana ouviu os conselhos do pai e se dedicou a longas jornadas de estudo com o material emprestado do filho da professora.

O trabalho do pai no curtume, local onde o couro cru é quimicamente tratado para ser usado na produção de sapatos e bolsas, foi responsável pela escolha da graduação. Aos 14 anos, a jovem foi aprovada em três universidades: Unicamp, USP e Unesp. Optou por Campinas (SP).

“Foi uma luta enorme. Ainda estavam construindo as moradias, tivemos que pagar para morar em um pensionato. O dinheiro era contado. Meu pai começou a trabalhar à noite para pagar as despesas. O pãozinho que vinha no bandejão era o meu jantar”, relembra.

Joana passou 10 anos na Unicamp, da graduação ao doutorado. As publicações científicas levaram ao convite para cursar o pós-doutorado nos Estados Unidos. Mas, antes de chegar à Harvard, a professora passou pela Universidade Clemson, na Carolina do Sul.

“Foi um ano muito difícil, foram muitas agressões verbais por causa da minha cor. Estava no estado mais racista dos Estados Unidos. Havia frases do tipo ‘negra, volte ao seu país porque você está tomando o espaço de um branco’. Eu tinha medo, mas aguentei firme e forte”, conta.

A professora voltou ao Brasil em 2002, após duas perdas avassaladoras. Primeiro, a irmã. Um mês e três dias depois, o pai também morreu. Como a mãe estava doente e o cunhado passou a morar com ela, Joana decidiu regressar a Franca e ajudar a cuidar dos sobrinhos.

O ponto final à vida nos Estados Unidos revelou à Joana uma nova oportunidade: a carreira de docente na Escola Técnica Estadual (Etec), onde leciona até os dias de hoje. Foi nesse colégio que a cientista desenvolveu projetos de pesquisa que lhe renderam prêmios e patentes.

“Eu vi que é possível desenvolver pesquisa de ponta sem estar dentro de uma grande universidade. É possível desenvolver patentes de projetos inovadores sem estar nesse meio. É possível fazer pesquisa na educação básica, na escola técnica, basta querer”, afirma.

Hoje, aos 55 anos, Joana já registrou 15 patentes nacionais e internacionais, junto aos alunos, a partir de pesquisas envolvendo, principalmente, reaproveitamento de couro e utilização de pele suína em transplantes realizados em seres humanos.

Esse último estudo, aliás, rendeu à Joana o mais importante entre os 82 prêmios que coleciona: o Kurt Politizer de Tecnologia, concedido em 2014 pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim).

“Todos nós somos capazes. Tem que querer, tem que ter objetivos, tem que traçar metas para vencer na vida”, afirma a pesquisadora. “Independente da cor da pele, temos que ser fortes, resistentes, enfrentar os problemas de cabeça erguida e sem vitimismo”, completa. (G1)

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