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'Eu me sinto preso e o assassino está solto', diz folião baleado por frentista

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Da esquerda para a direita, as marcações mostram o personal trainer Bruno Gomes de Souza, 31, que morreu; o administrador Rodrigo Beralde da Silva, 34, que sobreviveu; e o metalúrgico João Batista Moura da Silva, 30, morto (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Uma semana após perder dois amigos em um posto de combustíveis na Avenida Rebouças, Zona Oeste de São Paulo, mortos a tiros por um frentista por causa de uma discussão e briga com os foliões sobre fazer xixi fora do banheiro, o único sobrevivente dos disparos feitos pelo funcionário disse se sentir preso enquanto o assassino continua solto.

“Acho que os valores, de fato, estão invertidos. Eu me sinto preso dentro da minha casa, e o autor solto pelas ruas. Possivelmente pode tirar outras vidas. Vidas que estão aí”, disse na quarta-feira (14) o administrador Rodrigo Beralde da Silva, de 34 anos, em entrevista exclusiva ao G1 (veja vídeo acima).

Para Rodrigo, Manoel Santos Silva, de 47, teve a intenção de matar quando sacou a arma e atirou nele, no metalúrgico João Batista Moura da Silva, 30, e no personal trainer Bruno Gomes de Souza, 31, que perderam a vida no dia 3. "Ele não deu nenhum tiro de alerta para o alto. Ao invés disso saiu correndo e atirando na gente".


'Andar com fé'
O tiro que atingiu a costela de Rodrigo e saiu na frente do peito, perto da tatuagem onde se lê "Andar com fé...". “Só não foi fatal por um milagre”, falou o folião, que ficou seis dias internado, do sábado (3) até a última quinta-feira (8), quando recebeu alta médica.

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No detalhe, foto de Rodrigo Beralde da Silva, usando fantasia; ao lado, ele mostra por onde saiu bala disparada por frentista; próxima à tatuagem 'Andar com fé...': "milagre", disse o sobrevivente (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/Kleber Tomaz/G1)

Rodrigo é o rapaz que aparece fantasiado com chapéu laranja e óculos espelhados amarelos na última foto que tirou ao lado dos 12 amigos e amigas que tinham combinado participar dos blocos de rua no pré-carnaval na capital.

Como o banheiro do posto Shell em Pinheiros estava interditado, os foliões urinaram em um outro local, segundo ele, indicado e autorizado pelos funcionários, mas outros frentistas se irritaram. A partir daí, eles discutiram e começaram a brigar. Câmeras de segurança do posto gravaram a confusão e o seu desfecho trágico.

Barra de metal
“Estávamos procurando um lugar para fazer nossas fisiologias, permitidas até então, e foi gerada uma discussão... pelo frentista, que já se encontrava com o bastão em mãos. É nítido isso nas imagens”, falou Rodrigo sobre Manoel ter usado uma barra de metal para bater em um dos foliões.

Nas imagems é possível ver um dos foliões empurrando um funcionário do posto. Em seguida, o frentista pega a barra de ferro e bate com ela num folião. Depois, outros foliões derrubam Manoel e o chutam. Ele se levanta, saca a arma e sai atirando no grupo.

“Em seguida, de legítima defesa, ele [frentista] foi agredido por parte do grupo [de foliões], e em seguida já sacou o revólver e saiu atirando de maneira específica e fatal”, se recordou o administrador.

Ele só aceitou conversar com a reportagem desde que seu rosto não fosse mostrado. “Eu sinto na pele a dor... carrego na pele, sinto que esse trauma vai ser o meu novo companheiro para o resto da vida”, justificou Rodrigo, que pede a prisão de Manoel.

Frentista sumiu
O frentista ainda não foi ouvido pela Polícia Civil e segue solto desde o dia do crime. Na sexta-feira (9), o Tribunal de Justiça (SP) suspendeu o mandado de prisão temporária contra Manoel a pedido do Ministério Público (MP). Para a Promotoria, o funcionário, que até então não tinha antecedentes criminais, agiu em legítima defesa.

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Câmera grava momento em que frentista Manoel Santos Silva (no detalhe) persegue foliões e atira neles: dois morreram (Foto: Reprodução/TV Globo)

Rodrigo discordou do promotor Hidejalma Muccio. Para ele, Manoel teve a intenção de matar. “Ele agrediu primeiramente, em seguida ele foi, de maneira certeira, e atingiu três pessoas”, contestou o folião.

O administrador se mostrou indignado com o fato de que o frentista ainda não foi localizado para ser ouvido e indiciado pela polícia. “A sociedade não pode aceitar, aceitar essa falta de repostas”.

Posto de combustíveis
O G1 não localizou os proprietários da Rede Duque para falar. “Ninguém da Rede se colocou à disposição das famílias que perderam seus filhos”, criticou o sobrevivente.

As câmeras do posto também gravaram um policial militar, que fazia segurança para o estabelecimento, sacando uma arma durante a confusão. O cabo, que não teve o nome divulgado, não atirou, mas foi afastado do trabalho para ser investigado pela Corregedoria da Polícia Militar (PM). Agentes de segurança são proibidos de fazer segurança privada sem autorização superior.

“Por que o policial militar que estava trabalhando no local não preveniu toda essa tragédia?”, indagou Rodrigo.

 

Do G1

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