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Reconstituição da morte de sargento reúne padre, pms e testemunhas do crime

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Polícia Civil e Perícia estão na casa do padre buscando entender o que houve no dia do crime

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A Polícia Civil de Matão realizou nesta quarta-feira uma primeira reconstituição ligada a morte do sargento Paulo Sérgio Arruda, da Polícia Militar, executado com dois tiros dentro da casa de um padre, em Matão, no dia 20 de fevereiro. Foram chamados todos os envolvidos no caso, ou seja, o sacerdote, o garagista de Araraquara, os três policiais militares chamados para o serviço no horário de folga, além de demais testemunhas e advogados. A perícia busca esclarecer o que exatamente ocorreu dentro da casa do sacerdote.

O trabalho é coordenado pelo delegado Marlos Marcuzzo, responsável pelas investigações em Matão. Além dos três pms envolvidos no caso, um sargento e dois cabos, outros policiais acompanham a reconstituição. Assim como o padre Edson Maurício, que não mora mais na casa, o garagista de Araraquara e seus dois colegas. Atendendo ao pedido da Polícia Civil, a Guarda Civil Municipal isolou o local mantendo a imprensa distante. A exigência foi do padre Edson Maurício que se negou a sair do carro e até colaborar no caso.

Para o delegado Marlos Marcuzzo, de Matão, a reprodução simulada do fato é importante para entender o que houve no dia. "Com a reconstituição é muito aquilo que foi exposto e já estava disposto no inquérito policial", diz o delegado acreditando que Banana realmente foi o atirador e responsável pela morte do sargento Arruda. O padre, inclusive, é a única testemunha do fato, pois os militares estavam todos no mesmo cômodo. Arruda deu um disparo. Os colegas nada fizeram no contra-ataque.

O advogado Weslei Felipe Martins dos Santos Rodrigues acredita que a reconstituição é importante para esclarecer a participação de cada um no delito. "Do que for produzido aqui veremos qual versão é a verídica", diz o defensor do único do trio preso até o momento, Diego Afonso Siqueira Santos, 21, que se apresentou para ser detido já diretamente na cadeia, adiantou que matéria o silêncio sobre o fato e nem foi levado até a reconstituição.

Os demais colegas, Edson Ricardo da Silva, o Banana, 32, e Luiz Antônio Carlos Venção, 28, ainda estão sendo procurados pela polícia. Segundo o advogado de defesa dos acusados ainda foragidos, Luis Augusto Pena, eles confirmam a extorsão e negam o homicídio. Ambos estão com mandado de prisão expedido pela Justiça.

O garagista de Araraquara, Cristiano Rumaquelli, reforçou que estava distante da casa na hora do assassinato e apenas deu carona para o sacerdote, depois de ter feito um primeiro contato com o sargento que sensibilizado com a extorsão aceitou viajar para ajudar o padre no dia de folga e levando outros três parceiros de Corporação. "Na hora do crime eu estava indo embora. O padre me ligou e voltei", afirma Rumaquelli, que também nega ter oferecido dinheiro para levar os militares até a casa do padre, em Matão.

"As versões são das testemunhas, da vítima que é o padre, e só. Os atiradores, os indiciados não estão presentes. A reconstituição se faz com a versão daqueles ouvidos no inquérito", afirma o advogado do padre Edson, Arlindo Basílio. Ele disse que o sacerdote foi ouvido no dia do crime e reproduziu a mesma versão de que o ex-detento conhecido como Banana entrou na casa armado.

A Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que, devido a sindicância aberta pela Corregedoria da PM, os três policiais envolvidos no caso estão realizando serviço administrativo internamente enquanto a investigação acontece.

Dúvidas

O caso ainda está repleto de dúvidas. Os três pms que acompanhavam o sargento Arruda dizem que os disparos foram efetuados pelos bandidos. A polícia já sabe que um deles realmente tinha uma arma. O advogado de defesa nega. O fato é que nenhum exame foi feito, laudos são inconclusivos e ficará apenas a versão das testemunhas. Testemunhas essas, dois Cabos e um Sargento da PM, que comprovadamente cometeram atos ilegais e administrativos, e por isso foram transferidos do Batalhão de Araraquara.

Apesar de não ser oficialmente classificada assim, a transferência é uma punição pelas práticas adotadas no dia. Os três pms, ao lado do sargento Arruda, saíram de Araraquara no horário de folga para atender resolver um crime em andamento. O padre Edson Maurício, até então, pároco da Igreja Santo Expedito, em Matão, estava sendo extorquido pelo xará, Edson Ricardo da Silva, o Banana, que mantinha uma gravação clandestina em vídeo mantendo uma relação sexual com o sacerdote. Para não vazar com o vídeo ele cobrava R$ 80 mil.

Os pms mantêm a versão de que o padre pediu ajuda ao garagista, Cristiano Rumaquelli, que, por sua vez, fez contato com o sargento Arruda. Eles negaram que receberiam algo em troca. Em Matão, os três pms ficaram em um quarto enquanto outro permaneceu do lado externo fazendo a ronda com o carro. Banana entrou e, ao cruzar com o sargento no corredor, disparou três vezes. Arruda caiu quase no colo de um dos colegas. Nenhum outro tiro foi disparado. O trio fugiu pelo portão da frente em duas motos.

Como o ACidadeON/Araraquara mostrou recentemente são três investigações em andamento: a principal da Polícia Civil, que gerou a reconstituição desta quarta-feira, apura o homicídio contra o sargento Paulo Sérgio Arruda, e a extorsão contra o padre Edson Maurício. A Diocese de São Carlos verifica a postura do sacerdote suspenso depois do escândalo do vídeo pornográfico e a Polícia Militar conclui a sindicância.

Apesar da exposição, o padre Edson é considerado uma vítima no inquérito da Policia Civil de extorsão. Assim como o sargento Arruda também é a vítima do assassinato. Os demais pms, o garagista e dois colegas que estavam próximos viraram testemunhas no inquérito que apura o homicídio, assim como o sacerdote. O trio ligado a extorsão e ao homicídio, até o momento, são os únicos considerados acusados de algum crime.

Como começou a relação do padre e acusado?

As versões se contradizem. Em depoimento à Polícia Civil, o padre Edson disse apenas ter se relacionado rapidamente com o xará, o ex-detento Edson Ricardo da Silva, o Banana, preso no passado por roubo e tráfico de drogas. Aos colegas, o padre teria confidenciado ter tido a chave da casa furtada pelo autor. Com essa chave, Banana armou para ser filmado mantendo relação sexual com o padre já com a intenção de extorqui-lo. O advogado de defesa encaminhou à reportagem uma foto da chave e o controle. Confirmou que elas foram cedidas pelo sacerdote. À Polícia Civil, o padre afirmou ter sido furtado.

O acusado, em entrevista à TV Record revelou que mantinha um relacionamento há mais de três anos com o padre. Esse contato frequente, inclusive, motivou a sua separação. Apavorado com a possibilidade de ter a vida pessoal revelada, o padre Edson buscou ajuda em Araraquara. Oficialmente, de acordo com o registrado até o momento pela Polícia Civil, ele conversou com um garagista. Este, por sua vez, afirmou ter se sensibilizado e comentado sobre o drama com um conhecido, o sargento Arruda.

Quem era o sargento Arruda

Policial experiente e bastante respeitado pelos colegas. Era também temido e odiado pelo acumulo de prisões e de ocorrências mais graves em que se envolveu. Entre elas, algumas resistências seguidas de morte. Sargento da Força Tática, ele era casado, pai de três filhos e comemorava na segunda-feira, justamente o dia em que morreu ao ser executado na casa do padre, em Matão, o fato de ter sido absolvido de uma acusação no atendimento de ocorrência. Em novembro do ano passado, foi homenageado pela Câmara Municipal. (CidadeOn)

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