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Ação durante Setembro Amarelo — Foto: Sesc Caruaru/Divulgação

A taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados comparam as mortes autoprovocadas registradas pela organização em 2010 e em 2016 em diversos países do mundo.

    No Brasil, em 2016, a OMS contabilizou 6,1 suicídios a cada 100 mil habitantes. Já em 2010, foram registrados 5,7 suicídios a cada 100 mil habitantes no país.

A taxa média esconde enormes diferenças no número de casos por sexo, que mostram que os homens morrem mais por causas autoprovocadas: foram 2,8 a cada 100 mil entre as mulheres e 9,7 a cada 100 mil entre os homens em 2016 contra 2,8 a cada 100 mil entre as mulheres e 9 a cada 100 mil entre os homens em 2010.

Embora os números mundiais estejam em queda, os dados ainda são alarmantes: cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos.

Na comparação entre continentes e subcontinentes, o único que registrou aumento na taxa de suicídios foi a América, com incremento de 6% na comparação com 2010. O Brasil, com alta de 7%, teve crescimento na taxa acima da média dos países do continente.

Mortes por pesticidas

Segundo a OMS, os métodos mais comuns de suicídio no planeta são enforcamento, envenenamento por pesticidas e uso de armas de fogo.

    De acordo com o relatório da organização, lançado nesta segunda-feira (9), restrições no acesso a pesticidas podem reduzir consideravelmente as taxas de suicídio, como demonstraram iniciativas no Sri Lanka e na Coreia do Sul.

No Brasil, o uso de pesticidas em tentativas de suicídio já preocupa. Dados do Ministério da Saúde obtidos pela Agência Pública mostram que, de 2007 a 2017, mais de 12 mil pessoas tentaram suicídio com agrotóxicos em todo o Brasil. Dessas tentativas, 1.582 resultaram em mortes.

A letalidade dos pesticidas e agroquímicos é a maior entre todos os agentes utilizados em tentativas de suicídio, de acordo com o Ministério da Saúde: mais de 12% das tentativas que tiveram intoxicação confirmada por agrotóxico resultaram em morte, taxa dez vezes maior que a de pessoas que tentaram o suicídio com medicamentos, por exemplo.

Central de apoio

O suicídio é um fenômeno complexo que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você é o primeiro e mais importante passo.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é responsável por promover apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo gratuitamente, sob total sigilo, por telefone (188), email e chat 24 horas todos os dias. (G1)