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'Juramento representa minoria', diz aluna de medicina sobre trote de teor machista em Franca

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Aluna do quinto ano de medicina da Unifran, em Franca, uma jovem, que prefere não se identificar, afirmou ao G1 que o juramento polêmico feito em um trote dos calouros do curso representa uma minoria entre os universitários e que é preciso combater o preconceito durante as recepções dos novatos.

Imagens do trote ocorrido no dia 4 de fevereiro foram compartilhadas na internet e provocaram um debate nas redes sociais. O Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar a suspeita de conduta machista, misógina e sexista dos alunos veteranos.

Uma reunião entre o Conselho Municipal da Condição da Mulher, a reitoria da Unifran e o Ministério Público definiu estratégias que serão adotadas para conscientizar os alunos sobre os direitos da mulher.

Polêmica

Nas imagens que circulam na internet, as novas alunas do curso aparecem ajoelhadas e repetem a fala de um ex-aluno, que surge como uma espécie de juramentador.

“Juro, solenemente, nunca recusar a uma tentativa de coito de um veterano ou de uma veterana, mesmo que eles cheirem a ‘cecê’ vencido e elas a perfume barato”, diz o jovem, seguido pelas estudantes.

Em outro áudio divulgado, são os homens os incitados a fazer o juramento: “(...) e prometo usar, manipular e abusar de todas as dentistas e fazer [inaudível] que tiver oportunidade, sem nunca ligar no dia seguinte”.

Internautas consideraram as frases preconceituosas e ofensivas.

Trote há cinco anos

Ao ingressar na faculdade de medicina em 2015, a estudante, que prefere manter o anonimato, diz que participou de um trote semelhante, mas que o juramento não fazia menção às estudantes da odontologia ou continha a palavra abuso, embora já tivesse um teor machista.

Segundo a jovem, na época, havia um clima de euforia pela conquista da vaga na faculdade de medicina e que, por isso, não conseguiu fazer um julgamento crítico a respeito do juramento. Hoje, ao se deparar com o vídeo do trote de fevereiro, a universitária diz que a evolução da sociedade em relação aos direitos da mulher a levou à reflexão de que o texto deve ser combatido.

“Hoje, eu entendo o quão perigoso é propagar um discurso como aquele que estava no juramento. E sei que as mulheres precisam se conscientizar de que atitudes machistas como estas não podem acontecer em lugar nenhum. Se acontecerem, devem ser veementemente repugnadas. Hoje, compreendo a necessidade de falar sobre o assunto, de conversar sobre o quão machista e excludente a sociedade em que vivemos é, e como isso vem sendo perpetuado, implícita ou explicitamente, nos dias de hoje.”

Nas redes sociais, alunas da medicina e de outros cursos afirmaram que o mesmo juramento é praticado há anos pelos veteranos.

'Minoria'

A universitária afirma que o pensamento propagado por meio do texto representa uma minoria na faculdade e que, no dia a dia, existe respeito entre os estudantes nos eventos realizados.

“A maioria expressiva dos alunos não pensa daquela forma, a maioria expressiva não concorda com aquelas ideias e tampouco as reproduzem. É uma faculdade com poucas turmas, onde todos se conhecem e se respeitam. Felizmente, a imagem propagada pelo juramento não é real.”

A estudante diz ainda que muitos estudantes batalham para concluir o curso e que a sociedade não deve rotular todos os alunos da medicina da Unifran como machistas ou misóginos, uma vez que o trote é um episódio isolado.

“Seria muito injusto reduzir os alunos da medicina a uma minoria que pensa de forma ultrapassada e absurda. Temos, sim, que combater o trote abusivo e falar sobre o assunto é o primeiro passo para que ele deixe de existir.”

Medidas educativas

Com a intenção de evitar novos casos como o do trote, o Conselho Municipal da Condição da Mulher propôs uma parceria à Unifran, para conscientizar os estudantes sobre a importância de combater práticas abusivas e preconceituosas contra a mulher. Um fórum deverá ser realizado no dia 30 de março para debater o assunto e a universidade deverá desenvolver uma campanha educativa.

“O que a gente pretende com essa parceria é que exista uma educação dentro da universidade, não somente nessa época de trote, de chegada à universidade, mas que esse respeito pela mulher aconteça em todo o período letivo. É sempre importante citar o que é certo e o que é errado, como tratar o coleguinha. Eles estão na universidade, mas, pelo jeito, eles estão precisando aprender um pouco sobre como tratar o próximo”, diz Ana Krauss, presidente do Conselho.

De acordo com a presidente, as propostas apresentadas foram bem recebidas pela reitoria da universidade.

Em nota, a Unifran informou que já realiza ações preventivas e educativas e que vai intensificá-las por meio de projetos em andamento e outros programados para 2019. (G1)

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