O menino de Taung, o fóssil que mudou a história ao provar que os humanos se originaram na África
Um século atrás, um artigo sobre uma criatura que morreu há mais de 2 milhões de anos começou a transformar nossa visão do curso da evolução humana como a entendemos hoje. Mas não foi nada fácil.
O que é, sem dúvida, um dos fósseis mais importantes já encontrados caiu nas mãos do autor do artigo, Raymond Dart, no dia do casamento de um amigo, que estava sendo realizado em sua casa.
A noiva estava prestes a chegar, e ele era o padrinho, mas não estava totalmente pronto quando viu dois carteiros carregando duas caixas grandes que claramente não eram presentes, contou ele em suas memórias, Aventuras com o Elo Perdido (1959).
Ele esperava essa entrega desde que Josephine Salmons, uma de suas alunas de anatomia, o alertou sobre uma descoberta inesperada.
Mineiros de cal encontraram alguns fósseis enquanto trabalhavam em uma pedreira chamada Taung — que significa "Lugar do Leão" — cerca de 500 quilômetros a noroeste de Joanesburgo, na África do Sul, onde Dart lecionava.
O acadêmico foi professor de anatomia na recém-fundada Universidade de Witwatersrand, conhecida como Wits, por um ano, então ele não tinha apenas equipamentos ou uma biblioteca, mas também um museu com espécimes.
Por isso ele pediu que os fósseis fossem enviados até ele e, ao vê-los chegar, desceu as escadas correndo, seminu.
Embora sua esposa, Dora, tenha implorado para que ele não começasse a vasculhar os escombros até o casamento terminar, ele não conseguiu resistir à tentação.
Menos ainda quando, na segunda caixa, ele avistou, em um pedaço de rocha, um crânio quase invisível.