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A Fifa mais uma vez se manifestou sobre os protestos populares no Brasil durante a Copa das Confederações. No entanto, nesta segunda-feira, a entidade máxima do futebol mundial apresentou uma justificativa para a postura de isenção adotada. Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, o chefe de comunicação, Walter de Gregório, explicou que os representantes não podem “entrar em debate”.

 “A situação para nós é difícil. Se não dissermos nada, nos criticam, dizendo que só nos importa o futebol. Se dissermos algo, nos criticam por nos metermos em algo que é apenas do Brasil. Aceitamos as regras democráticas, mas não podemos entrar em debate”, disse De Gregório, tentando abrandar o clima de confronto das manifestações frente à comunidade internacional.

“Temos que restaurar a objetividade de um debate. A percepção geral é que o País está em guerra civil, e acho que a cobertura tem que ser do ponto de vista racional. Há que passar uma imagem global”, completou.

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, ainda aproveitou o evento no Rio para rebater as críticas feitas por muitos manifestantes a respeito dos investimentos do País. Segundo ele, a própria organização irá gastar muito com as competições no Brasil, assegurando ao menos parcialmente uma contrapartida aos valores gastos pelo País.

“Vamos falar das críticas de que estamos vindo ao País, aproveitamos, enchemos o bolso de dinheiro e vamos embora sem pagar impostos”, adiantou. “Criamos 6 mil empregos, 450 para merchandising. São 15 empresas locais de catering e 7,6 mil postos de trabalho. Apenas para a família Fifa, são 38 mil diárias noturnas com R$ 32 milhões de reais. E vamos gastar cerca de R$ 500 milhões na Copa apenas em hotéis”, completou.

Postura semelhante foi adotada pelo Ministério do Esporte. Para Luis Fernandes, secretário executivo da pasta, tanto a Copa das Confederações de 2013 quanto a Copa do Mundo de 2014 “permitem alavancar e adiantar investimentos”. Fernandes chamou o momento do Brasil de “oportunidade histórica” para captação de recursos.

“Planejamos um plano amplo de investimentos em infraestrutura e serviços que teriam que ser realizados, independente das Copas. Nesse planejamento, foi estabelecido uma Matriz de Responsabilidade compartilhada entre os três níveis de Governo. Não é uma compilação de gastos, é um plano estratégico de investimentos. Três quartos dos investimentos são de infraestruturas e serviços essenciais que deveriam ser feitos no País. E 62% dos investimentos estão em obras de mobilidade urbana, principalmente transporte coletivo e na modernização de aeroportos”, disse. “A Matriz de Responsabilidade não esgota os recursos de investimentos para o país. Há muito mais sendo feito.”

O secretário compareceu à coletiva acompanhado do ministro Aldo Rebelo para explicar que não há comprometimento de gastos do orçamento da União na Copa do Mundo, prometendo um superávit no balanço final das competições. Aldo, por sua vez, reforçou as teses da Matriz de Responsabilidade, lembrando que parte dos investimentos feitos no País “já teriam que ser feitos”, independente do Mundial do próximo ano.

“A Matriz de Responsabilidade é um plano para o país, e três quartos foram antecipados por causa da Copa do Mundo. Mas não são diretamente ligados aos gastos da Copa, porque já teriam que ser feitos. Esse é o conceito básico. Se esses investimentos foram colocados como custo da Copa, teremos que cortar e o Brasil perde a chance de se desenvolver. Isso se fala desde o primeiro momento em que foi divulgada a Matriz”, assegurou.

Futebol: longe de protestos, como ferramenta de inclusão

O ministro Aldo Rebelo ainda dissociou os protestos do Brasil da situação da Seleção Brasileira. Ao ser questionado se as manifestações cessariam diante de um título do Brasil na Copa das Confederações, Rebelo mencionou uma metáfora nacional que vê o futebol como “o ópio do povo”. A comparação é uma referência popular que tem como base a declaração de Karl Marx, que aponta a religião como o ópio do povo no manuscrito Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.

“Não acho que o futebol seja ópio de coisa nenhuma. O futebol é um esporte popular e querido. Creio que o futebol é mais que um esporte. Quando apareceu no País, foi e segue sendo uma grande plataforma de inclusão social, principalmente para os negros. Nossos primeiros jovens negros aceitados e respeitados no mundo alcançaram esse estágio através do futebol. O Vasco é um exemplo disso, de como o futebol luta contra o preconceito. O futebol se consolidou pela ação pela prática do povo. Quando o Estado chegou ao futebol e o mercado, o futebol já era uma realidade. Temos que preservar o futebol como ele é, onde as regras valem para todos e todos dependam do talento individual e coletivo”, citou.

Do Terra