O calor aperta, o suor escorre e o corpo entra em modo de adaptação. Para manter a temperatura interna estável, o organismo aciona uma série de mecanismos automáticos –e o sistema cardiovascular está no centro dessa resposta.

Em dias muito quentes, o coração trabalha mais, a pressão arterial tende a cair e, em algumas pessoas, esse ajuste pode sair do controle, aumentando o risco de mal-estar, arritmias e até eventos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Ondas de calor cada vez mais frequentes têm ampliado esse risco, sobretudo entre idosos e pessoas com doenças cardiovasculares.

O primeiro ajuste do corpo: dilatar os vasos
Quando a temperatura sobe, os vasos sanguíneos —principalmente os da pele— se dilatam para facilitar a dissipação do calor. Esse processo reduz a resistência vascular e tende a baixar a pressão arterial.

“O organismo tenta compensar essa queda acelerando os batimentos cardíacos para manter o fluxo adequado de sangue”, explica Fernando Ribas, cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em pessoas saudáveis, esse ajuste costuma funcionar. Em outras, a engrenagem falha.

A vasodilatação, somada à perda de líquidos pelo suor, reduz o volume de sangue circulante. Com menos sangue retornando ao coração, o corpo força o aumento da frequência cardíaca, o que pode provocar sintomas típicos do calor intenso, como tontura, fraqueza, escurecimento da visão e sensação de desmaio.

Pessoas com predisposição, como quem tem hipotensão postural ou síncope vasovagal, tendem a sentir esses efeitos com mais intensidade.

Quando está quente, há grande perigo de sintomas que vão de incômodos a fatais. É preciso agir rápido, mas melhor ainda é saber como evitá-los.

Depois de algum tempo no calor, o corpo precisa de uma pausa. Quem fica muito tempo exposto ao sol corre o risco de sofrer uma insolação. E quem se esforça muito em ambientes quentes pode até sofrer um golpe de calor.

Aqui estão algumas dicas para evitar essas situações e o que fazer caso ocorram.

O que é uma insolação?
Muito sol na região da cabeça e do pescoço pode causar insolação. As meninges e o tecido cerebral ficam irritados com o superaquecimento e pode ocorrer a chamada meningite asséptica, uma inflamação das meninges que não é causada por bactérias.

Cientistas britânicos afirmam que os humanos antigos aprenderam a produzir fogo há cerca de 400 mil anos — um salto de centenas de milhares de anos em relação às estimativas mais aceitas até agora. A conclusão vem de um estudo publicado nesta quinta-feira (12) na revista científica Nature e se baseia em evidências encontradas em um sítio arqueológico no leste da Inglaterra.

Até então, o uso controlado do fogo era atribuído a populações neandertais que viveram no norte da França há cerca de 50 mil anos. As novas descobertas empurram esse marco para muito mais atrás no tempo e reforçam a ideia de que habilidades técnicas e cognitivas complexas surgiram bem antes do que se imaginava.

 Vestígios de uma lareira pré-histórica

As evidências foram identificadas em Barnham, um sítio paleolítico no condado de Suffolk que é escavado há décadas. Pesquisadores liderados pelo Museu Britânico encontraram um conjunto de indícios que, analisados em conjunto, apontam para o uso intencional do fogo.

Entre eles estão um fragmento de argila cozida, machados de mão de sílex fraturados por calor intenso e dois pedaços de pirita de ferro — um mineral que produz faíscas quando friccionado contra o sílex. Esse último detalhe foi decisivo: a pirita não ocorre naturalmente na região, o que indica que foi coletada e levada até ali de forma deliberada.

Durante anos, cientistas souberam que alguns tipos de câncer não seguem o “ritmo esperado” de evolução. Em vez de acumular mutações lentamente, como acontece na maioria dos tumores, eles parecem dar saltos bruscos — mudam rápido, se adaptam e escapam dos tratamentos. Agora, um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego ajuda a explicar por quê.

A pesquisa identificou a enzima responsável por iniciar a cromotripsia, um fenômeno em que um cromossomo inteiro se quebra em dezenas — às vezes centenas — de pedaços e é remontado de forma desordenada dentro da célula.

O resultado é um verdadeiro caos genético, que favorece o crescimento do câncer e sua resistência às terapias.

 O que é cromotripsia e por que ela assusta os cientistas

Em condições normais, alterações no DNA acontecem aos poucos. Já na cromotripsia, tudo ocorre de uma vez só, como se um livro fosse rasgado em dezenas de páginas e depois reencadernado fora de ordem.

Esse tipo de evento é considerado raro em células saudáveis, mas surpreendentemente comum em tumores. Estimativas indicam que cerca de um em cada quatro cânceres humanos apresenta sinais de cromotripsia. Em alguns tipos, como o osteossarcoma (um câncer ósseo agressivo), ela está presente em praticamente todos os casos.

Esse processo dá ao tumor uma vantagem evolutiva: com tantas alterações genéticas de uma só vez, as células cancerígenas podem encontrar rapidamente caminhos para driblar medicamentos e continuar se multiplicando.

O mistério: quem ‘quebra’ o cromossomo?
Apesar de a cromotripsia ter sido descrita há mais de dez anos, os cientistas ainda não entendiam como esse processo começava. Sabia-se apenas que ele estava ligado a falhas na divisão celular — o momento em que uma célula se divide em duas.

Em uma divisão normal, os cromossomos ficam organizados dentro do núcleo da célula, protegidos por uma espécie de “capa”. Mas, quando ocorre um erro, um cromossomo pode ficar isolado do resto e acabar preso dentro de uma estrutura menor e muito mais frágil, chamada micronúcleo.

Uma pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto (EERP-USP) apontou que a prática regular de meditação pode diminuir a dor crônica em mulheres com Disfunção Temporomandibular (DTM).

O estudo acompanhou 53 mulheres entre 18 e 61 anos ao longo de oito semanas e registrou melhora no limiar de dor, redução de marcadores inflamatórios e benefícios emocionais associados ao estresse e à sensibilidade dolorosa.

A Disfunção Temporomandibular (DTM) é uma condição que afeta as articulações responsáveis por abrir e fechar a boca e os músculos da mastigação. Pode causar estalos, dificuldade de mastigar, dores na mandíbula, cabeça e ouvido, além de impacto na rotina e na saúde mental.

 Segundo especialistas, é de duas a três vezes mais comum em mulheres e, quando se torna crônica, tende a alterar mecanismos do sistema nervoso central, ampliando a percepção da dor.

O estudo foi conduzido no Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas da USP, e publicado no Journal of Oral Rehabilitation. Nele, os pesquisadores buscaram avaliar como a meditação de atenção plena, o "mindfulness", poderia ajudar mulheres que convivem com o problema.

Um telescópio no Chile capturou uma nova e impressionante imagem de uma majestosa e graciosa borboleta cósmica.

O NoirLab da Fundação Nacional de Ciência divulgou a imagem na quarta-feira (27).

Fotografada no mês passado pelo telescópio Gemini Sul, a Nebulosa Borboleta, cujo nome é bastante apropriado, está localizada a uma distância de 2.500 a 3.800 anos-luz na constelação de Escorpião. Um ano-luz equivale a 6 trilhões de milhas.

Dois em cada três suplementos avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentam algum tipo de irregularidade. O levantamento mais recente da agência mostra falhas em ingredientes, doses e validade, além de produtos sem testes de pureza e estabilidade, etapas obrigatórias para garantir a segurança de consumo.

A alta taxa de reprovação —65% dos suplementos analisados até julho de 2025— expõe a fragilidade do controle sanitário em um mercado que movimenta bilhões de reais por ano, impulsionado por promessas de bem-estar, performance e emagrecimento.

Mesmo diante desse cenário, a Anvisa prorrogou até 2026 o prazo para que as empresas se adequem às normas de segurança e qualidade, originalmente previstas para entrar em vigor neste ano.

Médicos e nutricionistas ouvidos pelo g1 afirmam que o uso indiscriminado desses produtos, aliado à ausência de fiscalização efetiva, expõe os brasileiros a riscos hepáticos, cardiovasculares, renais e hormonais.

“Encontramos falhas em dois terços dos produtos avaliados. Isso mostra que o setor ainda não está em conformidade com o padrão de segurança exigido”, afirmou a gerente de regularização de alimentos da Anvisa,Patrícia Ferrari Andreotti, em audiência pública na Câmara dos Deputados, em setembro de 2025.

Quem convive com ansiedade já ouviu conselhos como dormir bem, cuidar da alimentação e se exercitar.

Entre essas recomendações, a corrida se destaca: não é apenas um treino para o corpo, mas também um aliado poderoso da mente — e a ciência explica por quê.

Passar pelos primeiros quilômetros de corrida — ou até pelos primeiros minutos, dependendo da sua experiência — não é fácil: o corpo reclama, o coração dispara, a respiração fica curta, as pernas pesam.

Enquanto isso, o organismo trabalha: uma série de reações fisiológicas e psicológicas entram em ação, liberando substâncias que fazem com que a recompensa valha a pena, segundo pesquisadores.

Um dos levantamentos mais amplos já realizados sobre o tema, a revisão "A Scoping Review of the Relationship between Running and Mental Health" (em português, "Uma revisão exploratória da relação entre corrida e saúde mental"), analisou 116 estudos sobre corrida e saúde mental publicados entre 1970 e 2019.

O trabalho concluiu que sessões de corrida — mesmo curtas, entre 10 e 60 minutos — estão associadas à melhora do humor, da ansiedade e dos sintomas depressivos.

Os autores destacam que tanto a corrida recreativa quanto treinos regulares têm potencial de reduzir estresse e aumentar o bem-estar psicológico, embora níveis muito altos de prática (como em maratonistas ou corredores compulsivos) possam gerar efeitos negativos.

Durante a corrida, o corpo e o cérebro entram em ação de formas complexas, liberando substâncias químicas que ajudam a reduzir a ansiedade e promovem sensação de prazer e bem-estar.

De acordo com Marco Túlio de Mello, professor titular do Departamento de Esportes da UFMG, uma das primeiras substâncias liberadas é a beta-endorfina.

"A beta-endorfina atua principalmente na redução da dor, ajudando a diminuir impactos negativos, como microlesões que podem ocorrer durante o exercício. Mas muitas pessoas acreditam que a sensação de prazer vem diretamente dela. Na verdade, ela funciona como um gatilho para a liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e satisfação", explica.

A morte explosiva de uma estrela — uma supernova — é um dos eventos cósmicos mais violentos, mas o modo exato como essa catástrofe acontece ainda era um mistério. Agora, cientistas observaram pela primeira vez os estágios muito iniciais de uma supernova, em que uma estrela massiva explodiu em um formato curioso, parecido com uma azeitona em pé.

Os pesquisadores usaram o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, baseado no Chile, para observar a supernova, que envolveu uma estrela com cerca de 15 vezes a massa do Sol. Ela estava em uma galáxia chamada NGC 3621, a aproximadamente 22 milhões de anos-luz da Terra, na direção da constelação de Hidra.

  Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano: 9,5 trilhões de quilômetros.

Determinar a forma dessas explosões sempre foi difícil por causa da rapidez com que ocorrem, o que exigiu ação imediata neste caso. A explosão foi detectada em 10 de abril de 2024, pouco depois de o astrofísico Yi Yang, da Universidade Tsinghua, na China, desembarcar de um longo voo para São Francisco. Horas depois, Yang enviou um pedido formal para direcionar o VLT à supernova — e o pedido foi aceito.

Com isso, os pesquisadores conseguiram observar a explosão apenas 26 horas após a detecção inicial e 29 horas depois de o material interno da estrela atravessar sua superfície.

O que eles viram foi uma estrela condenada cercada, em seu equador, por um disco pré-existente de gás e poeira. A explosão empurrou o material para fora do núcleo estelar, distorcendo sua forma até se parecer com uma azeitona em pé. Notadamente, a explosão não fez a estrela se despedaçar de forma esférica. Em vez disso, o material foi expelido violentamente por lados opostos da estrela.

Adquirir remédios falsificados e ver o quadro de saúde só piorar pode parecer uma situação vista mais na ficção, como no enredo da novela Três Graças. Mas em países de baixa e média renda, 1 em cada 10 produtos médicos em circulação é falsificado ou subpadronizado (de qualidade inferior), de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Como o Brasil é um país de média-alta renda, de acordo com o Banco Mundial, essa estatística não se aplica a nós e não há um ranking de falsificação global. Ainda assim, o tema preocupa órgãos de saúde brasileiros, principalmente quando se trata de medicamentos vendidos pela internet.

Na novela das 21h, a personagem Lígia, vivida por Dira Paes, sofre de uma doença rara chamada hipertensão arterial pulmonar (HAP) e toma medicamentos distribuídos gratuitamente pela Fundação Ferette, comandada por Murilo Benício.

O vilão recebe de laboratórios a doação de remédios verdadeiros, mas os substitui por placebos feitos de farinha, produzidos numa fábrica clandestina que ele mesmo monta. Já os remédios verdadeiros são revendidos no mercado paralelo, por um valor abaixo da tabela e com pagamento em dinheiro vivo.

No Brasil da vida real, produtos mais caros, como canetas emagrecedoras, toxina botulínica e remédios para câncer, estão entre os mais frequentemente encontrados na lista de medicamentos falsificados, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF). Além da falsificação, muitas vezes, esses produtos também são importados irregularmente ou são objeto de roubo.

Ao ingerir medicamentos falsificados, o paciente – além de não melhorar - pode ter uma piora do quadro de saúde, sofrer intoxicação, interações medicamentosas não esperadas e diversas alterações no organismo, como da pressão arterial e dos níveis de glicose.

Uma brasileira está por trás de uma das inovações médicas mais promissoras dos últimos anos. A química Lívia Schiavinato Eberlin, professora da Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, desenvolveu um dispositivo capaz de identificar se um tecido é saudável ou cancerígeno em apenas 10 segundos, já durante a cirurgia.

A tecnologia, batizada de MasSpec Pen, já é chamada de “caneta que detecta câncer”.

Agora, o Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, conduz o primeiro estudo clínico fora dos Estados Unidos com o equipamento, em parceria com a Thermo Fisher Scientific, multinacional responsável pelo espectrômetro de massas que viabiliza a leitura molecular do tecido.

Como funciona a tecnologia
A MasSpec Pen é uma caneta conectada a um espectrômetro de massas --um equipamento capaz de identificar as moléculas que compõem uma substância e revelar sua “assinatura química”.

Em termos simples, ele pesa e compara as moléculas do material analisado, mostrando quais estão presentes e em que proporção. É a mesma tecnologia usada em investigações forenses, no controle de qualidade de alimentos e em exames antidoping --agora adaptada para uso médico.

Durante a cirurgia, o médico encosta a ponta da caneta sobre o tecido suspeito. O dispositivo libera uma microgota de água estéril, que permanece em contato com o tecido por alguns segundos. Essa gota extrai moléculas da superfície e é aspirada para o espectrômetro, que analisa sua composição química em tempo real.

O aparelho então identifica o padrão molecular do tecido --algo como uma impressão digital biológica — e mostra na tela se ele é saudável ou cancerígeno.

“É como fazer um café: a água extrai as moléculas da amostra sólida, mas não remove o tecido. A análise é instantânea e não causa nenhum dano”, explica Lívia Eberlin.

O contraste com o padrão atual

Em qualquer cirurgia oncológica, um dos maiores desafios é definir o limite exato do tumor --até onde o cirurgião deve cortar.

O objetivo é remover completamente o tecido doente, evitando deixar células cancerígenas para trás, mas sem retirar mais do que o necessário de tecido saudável, o que pode comprometer órgãos e funções do corpo.

 Esse tecido, em termos simples, é o conjunto de células que forma uma parte do corpo --como um fragmento do pulmão, da tireóide, do fígado ou da mama.

Quando há um tumor, as células cancerígenas se infiltram nesses tecidos e podem invadir áreas vizinhas. Por isso, o médico precisa saber onde termina o câncer e onde começa o tecido saudável --a chamada margem de segurança cirúrgica.

Pesquisadores da Unicamp usaram cascas das amêndoas do cacau e mel de abelhas nativas para desenvolver um produto rico em substâncias antioxidantes, anti-inflamatórias e associadas à saúde cardíaca. Além das características saudáveis, o mel criado pelo estudo ganhou o "inusitado" sabor de chocolate, segundo os pesquisadores.

Pesquisador da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e primeiro autor do estudo, Felipe Sanchez Bragagnolo aponta que o produto tem potencial para ser usado na indústria alimentícia e na de cosméticos.

O mel de abelhas nativas é usado como solvente comestível para extrair substâncias como cafeína, teobromina - que são estimulantes ligados à saúde cardíaca - e antioxidantes das cascas do cacau. O processo também usa um ultrassom (entenda abaixo).

Na produção de chocolate e outros derivados do cacau, as cascas da amêndoa do fruto costumam ir para o lixo. Por isso, os pesquisadores também apontam que o novo "mel" é uma opção de reaproveitamento desse resíduo.

Bragagnolo afirma que a ideia da pesquisa surgiu da vontade de valorizar alimentos brasileiros. O interesse dele também decorreu da complexidade dos méis de abelhas nativas - que se diferenciam nos aspectos sensoriais, de sabores e suas características.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica ACS Sustainable Chemistry & Engineering em agosto deste ano.