A região de Ribeirão Preto é lider das multas por queimadas. Das 523 autuações registradas em todo o território paulista, 53,7% são da região. Já no caso dos valores das multas por queimadas irregulares, a participação da região é ainda maior: 75% do total --ou R$ 16,1 milhões de um montante de R$ 21,4 milhões.

Os dados são da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Na divisão feita pela pasta, a região inclui também parte do norte paulista, como São José do Rio Preto.

Os números servem de alerta para o período de inverno que se aproxima, época do ano em que a umidade do ar atinge níveis bem mais baixos e o clima fica propício aos focos de incêndio.

Ao todo, foram queimados irregularmente 10 mil hectares em áreas paulistas.

O levantamento se divide entre queimadas em áreas com plantio de cana-de-açúcar e em locais onde há outras culturas ou vegetações.

CANA

As queimadas irregulares em canaviais são a maioria, representando 60% do total. Apesar disso, o montante das multas referentes aos incêndios nos canaviais é menor.

Uma das razões é que a multa é de R$ 1.000 por hectare de cana queimado ilegalmente, ante R$ 5.000 nas demais áreas atingidas.

"A multa [em canavial] é menor por que a queima já está dentro da cultura da cana", diz o tenente-coronel da PM Milton Sussumu Nomura, responsável pelo policiamento ambiental no Estado.

O presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antônio de Pádua Rodrigues, afirma que cada autuação envolvendo área canavieira precisa ser avaliada de forma individual.

"Há pendências judiciais, alguns casos ainda podem ser revertidos e não significam erros de procedimento. Mas quando fica comprovada a falha, o responsável tem que ser punido", afirmou.

Queimadas irregulares nos canaviais ocorrem, por exemplo, quando o fogo é colocado em horários proibidos ou em áreas não autorizadas.

EXPLORAÇÃO

Segundo o coronel do Corpo de Bombeiros Reginaldo Campos Repulho, responsável pelo monitoramento de incêndios no interior do Estado, uma ação conjunta entre empresas, usinas, bombeiros, polícia e governo vem sendo preparada desde 2011.

O período entre maio e outubro é considerado crítico, segundo Repulho. No inverno, a seca é intensa, o que favorece as queimadas.

Para o coronel Nomura, os casos ocorrem mais em locais onde há exploração do homem. "É fácil cravar que o litoral tem menos pontos de incêndio, pois a atividade agrícola lá é quase nula."

Apesar do volume elevado de queimadas, o coordenador da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Viegas, diz que as empresas, principalmente, estão mais conscientes sobre cuidados para se evitar os incêndios.

Os números comprovam melhora. Em 2010, foram 17 mil hectares queimados e R$ 37,4 milhões em multas.

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